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01/04/2015

Mãos dadas


"Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente"
Carlos Drummond de Andrade


Todos nós lidamos com crises.
A falta de chuva (ou excesso dela).
Desemprego, violência, desperdício de recursos.
Conflitos, rupturas, disputas veladas.
Sentimentos de inadequação, frustração, tristeza.

A lista é longa demais, mas não percamos a esperança.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não há receita fácil para lidar com o difícil. Mas juntos, sempre há mais caminhos.
Sim, pode nos faltar coragem. A tentação de escapar, fingir que não vemos.
Por isso é preciso dar-se as mãos. 
Para que a boa luta seja enfrentada. A mudança necessária aconteça.
Para que ao por o dedo nesta ferida, vislumbremos uma possível cura.

Mas não é preciso ir só. 
Vamos de mãos dadas.
Se está difícil, amedrontador, cansativo.
Vamos de mãos dadas.

Leonardo Boff já dizia: em tempos de muita correnteza, só de mãos dadas não nos perderemos.
Este é um tempo assim.
Caudaloso. 
Mas acreditamos na força de compartilhar sonhos. No poder do aprender coletivo. Na força da cooperação.

Estamos presos à vida e olhamos vocês, companheiros de jornada heróica.
Para facilitar a travessia, criamos um novo espaço de encontrar pistas para uma vida com menos medo e ansiedade.

Esta é o nosso convite para uma Vida Nova!
Bom Pessach, Boa Páscoa!


07/11/2014

Histórias Odisseyers: Eliane Mattos

Este mês, queremos homenagear a Odisseyer Eliane Mattos, uma querida amiga que nos deixou.



Recebê-la no Odisseia foi uma grande honra.
Afinal, há anos ela cuidava de nós, no seu sacro ofício de alinhar energia e corpo a serviço da sanidade somática, da saúde mais ampla.

Ela nos buscou por curiosidade, vontade de crescer e por ser uma grande incentivadora de nosso trabalho.
Saiu encantada e satisfeita, o que  para nós foi muito especial. Afinal, Eliane já havia feito várias formações e trabalhos de autoconhecimento com grandes especialistas do corpo e da alma.

Eliane soube ser herói da própria história de uma forma única.
Encontrou um trabalho difícil de descrever, pois o poder de sua prática não cabia em títulos curtos como "fisioterapeuta" ou"terapeuta corporal".
Tampouco seria cabível apenas ressaltar seus "poderes mágicos". Pois havia decerto algo inexplicável e de ordem superior na sua forma de cuidar; mas também havia muito estudo e ciência, além de uma dedicação ao contínuo autodesenvolvimento.

Eliane gostava muito das coisas belas, refletidas na sua paixão pelas artes plásticas e no seu bom gosto no vestir e decorar.

Mas sua grande paixão era a saúde de seus pacientes, saúde que protegia com suas mãos e também inestimáveis conselhos e alertas.

Representou bem nossa crença de que  uma mesma habilidade serve a muitos propósitos. Suas mãos serviam na cura, mas também para fazer lindos arranjos de flores.

Era curadora em muitos sentidos. Certamente o de restaurar o corpo de dores e cansaço, mas também em oferecer sugestões de onde deveríamos focar nosso desenvolvimento espiritual e profissional.

Todos os dias utilizamos algum aprendizado compartilhado por ela a partir de seu amplo repertório de técnicas e saberes.

Da Jornada Odisseia, levou muita inspiração. Uma delas, singela, foi a de enfrentar seu medo de tecnologia. Vinha tendo aulas com um professor para dominar os e-mails e mídias sociais.

Eliane partiu em dois de novembro, Dia dos Mortos.
Jamais a esqueceremos.
Seu legado está vivo no Odisseia, na sua sabedoria generosa, que compartilhamos com gratidão.