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18/04/2014

O preço a qualquer preço

“Bom dia. Embarque ou conexão?”
Parecia uma pessoa do staff do aeroporto, mas não. Era um vendedor de uma editora, tentando me “fisgar”.
Sentei-me num lugar estratégico e fiquei acompanhando a operação.  Observando a franca irritação de alguns passantes, me pergunto. Por quê?
Por que alguém se submete a um subterfúgio destes para tentar capturar um novo consumidor?
Parece fácil condenar o vendedor e sua armadilha tosca.

Decido olhar mais fundo... Será que este vendedor gosta ou tem orgulho do que faz? Ou está pagando contas, buscando alguma estabilidade, atendendo a sonhos alheios do que é ser uma pessoa de sucesso?
A farsa da editora é  muito evidente. Não vi quase ninguém ir “só retirar o brinde” que levaria a um discurso de convencimento “compre uma assinatura”.
Na vida real, o dilema é mais sutil.  Será que estamos vendendo a nós mesmos e aos outros algo que não nos serve?
“Eu preciso deste trabalho porque preciso pagar contas”
“Eu não sei fazer outra coisa”
“Sou muito velho para começar de novo”
“Já investi muito neste caminho onde estou”
“Não tenho coragem”.
Todos os dias conheço pessoas buscando enfrentar estas questões. São perguntas difíceis, causadoras de grande sofrimento. Por que  tantos outros não conseguem encará-las?
Tudo é uma questão de preço. Muitas pessoas não percebem claramente o custo de um trabalho sem sentido, até a vida passar ou alguma crise acontecer.
Voltando para nosso exemplo. Um daqueles vendedores pode um dia se sentir maltratado. Outro pode achar que o dinheiro que ganha, não vale o esforço. Alguns, podem adoecer física ou emocionalmente, pelo desgaste de tanta rejeição.  Uns podem ter sonhos pulsando cada vez mais alto, até não sobrar energia para abordar clientes a caminho de seu voo.
E para alguns, somente alguns, chegará o dia em que dirão “chega, vou buscar outro trabalho ou vou ao menos tentar vender minha assinatura de uma forma diferente!”.
Para todos nós, o  preço pode ser a saúde física, o equilíbrio emocional, a falta de sentido. O preço  pode ser desperdiçar talentos, ignorar sonhos, engolir sapos além da conta.
Sim, é preciso pagar as contas. Mas a que preço?
O singelo exemplo do aeroporto evoca questões éticas, mas também não vi um ambiente estimulante no quiosque onde os vendedores se aglomeravam. Fiquei curiosa até quando vão tentar esta nova tática.
Também fico curiosa por entender o limite das pessoas, cada um tem o seu.
Quanto tempo é preciso para se repensar que tipo de trabalho queremos fazer? Quanta dor e incômodo estamos dispostos a vivenciar?
O Odisseia foi criado para estimular relações mais felizes com o trabalho. A reflexão é o primeiro passo neste sentido e esta é a intenção deste texto.
Qual o preço da minha escolha profissional hoje? 
Como eu posso interferir para que o que faço para pagar as contas também sirva para minha realização pessoal? 
O que está ao meu alcance para ter um trabalho que faça sentido?
Minha hipótese é que a resposta não está num script automático que vendemos para nós, justificando a situação atual... Descobrir suas respostas pode ser o primeiro passo para uma grande transformação.


11/03/2014

O que é ser herói da própria jornada?

Nascemos inocentes e dependentes.
Crescemos em constante interação e interdependência.
Como adultos idealmente nos tornamos autônomos. A responsabilidade de um adulto implica em saber que cada escolha tem um preço.
A questão é saber que preços estamos dispostos a pagar.
René Quillivic-Le voilier

No processo de crescer, muitas vezes encolhemos nossa coragem de tentar o que parece impossível, de trilhar o caminho menos conhecido. De arriscar-se. De mostrar-se por inteiro, vulnerável, sensível.

Nem sempre escolhemos o que fazer como trabalho de forma consciente. É comum abraçarmos uma carreira ainda imaturos e depois nos acostumarmos a ela. Ou jamais nos acostumarmos, mas temermos o preço da mudança.

Ser herói da própria jornada é retomar o leme do nosso barco.  Honrar este caminho sem sempre fácil de experimentar profissões, de ser responsável por seu sustento. E fazer tudo isso sem perder a coerência com nossas paixões, nossas necessidades e desejos.

Ser herói da própria jornada é fazer escolhas. Não delegar o sucesso ou fracasso a ninguém, buscar seu percentual de contribuição em toda a situação adversa.

Ser herói da própria jornada é sentir medo e atravessar o oceano da vida, cheio de perigos, com medo e tudo.

Um herói é um indivíduo disposto a grandes sacrifícios por uma causa maior.  E viver sua própria jornada é a causa maior de todas. Não importa se gari ou empreendedor; militar ou padre. Todo trabalho tem valor quando está alinhado com o que amamos e sabemos fazer.

O prêmio é imperdível: ao final da jornada, teremos construído um legado.
Uma vida bem vivida, com pouco arrependimento.
Alegria. Satisfação. Realização. Significado.

Por isso trabalhamos todos os dias no Odisseia. Na esperança incansável de um mundo onde todos possam ser heróis de sua própria jornada.