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18/04/2015

Qual é a sua crise?

Alguns preocupam-se com o planeta, recursos escasseando.
Outros com este Brasil desigual, deseducado e aquém de seu potencial.

Alguns de nós sofrem ao andar em nossas ruas, seja por crise hídrica, violência, estagnação.
Outras vezes, a dor é na família. Separação, morte, loucura, doença.
Ou um trabalho que não realiza, um chefe difícil, um salário insuficiente para os sonhos.

Mais dentro, mais fundo ainda, nossas crises mais íntimas:
Gostar-se.  Expandir-se. Amar e ser amado. Pertencer.  Subsistir. Alegrar-se.

Não importa a geografia, a cor da pele, a língua materna. Somos todos humanos.

Qual é a sua crise?



Crise é oportunidade, diz o clichê.
Sábio clichê.
Mas como tudo que é superficial, não dá conta dos riscos da travessia.

Mesmo que se vislumbre os benefícios de enfrentar a crise, como atravessar o medo e a ansiedade?
Como chegar na outra margem, mais confiante, mais feliz, mais inteiro?

Responsabilidade.
Confiança.
Gentileza.

Assim acreditamos.

Responsabilidade que é habilidade de responder. Chamar para si o que está ao nosso alcance. Abandonar o que está além de nossos limites.
Andar firme no caminho do meio entre onipotência e impotência.

#1. Pergunte-se: O que posso fazer a respeito desta crise?

Confiança que é escolher a esperança.
Fé, entrega, resiliência.  Buscar colaboradores, buscar pontos de apoio para firmar-se.
Confiança que é despir-se das máscaras e anestesias, para entender o que realmente dói e o que realmente importa.
Criar coragem para fazer o mais certo para si e para o mundo.

#2. Forme uma imagem de como estará quando tiver tido êxito em atravessar a crise.

Gentileza consigo.
Cuidar-se. Apreciar-se com imperfeições. Honrar aprendizados. Ser grato pelo que recebeu.

Gentileza com o outro.
Desenvolver empatia: como é vestir este sapato alheio, saber suas dores, seus sentimentos?
Quem é meu irmão, companheiro possível de travessia?

#3. Identifique seus parceiros: Quem pode me ajudar na minha crise? Quem posso ajudar na sua crise?

Não é fácil. Ser feliz dá trabalho.
Mas um herói é aquele disposto a enfrentar sacrifícios por uma causa maior.

Qual é a sua causa? Qual é a sua crise?

01/04/2015

Mãos dadas


"Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente"
Carlos Drummond de Andrade


Todos nós lidamos com crises.
A falta de chuva (ou excesso dela).
Desemprego, violência, desperdício de recursos.
Conflitos, rupturas, disputas veladas.
Sentimentos de inadequação, frustração, tristeza.

A lista é longa demais, mas não percamos a esperança.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não há receita fácil para lidar com o difícil. Mas juntos, sempre há mais caminhos.
Sim, pode nos faltar coragem. A tentação de escapar, fingir que não vemos.
Por isso é preciso dar-se as mãos. 
Para que a boa luta seja enfrentada. A mudança necessária aconteça.
Para que ao por o dedo nesta ferida, vislumbremos uma possível cura.

Mas não é preciso ir só. 
Vamos de mãos dadas.
Se está difícil, amedrontador, cansativo.
Vamos de mãos dadas.

Leonardo Boff já dizia: em tempos de muita correnteza, só de mãos dadas não nos perderemos.
Este é um tempo assim.
Caudaloso. 
Mas acreditamos na força de compartilhar sonhos. No poder do aprender coletivo. Na força da cooperação.

Estamos presos à vida e olhamos vocês, companheiros de jornada heróica.
Para facilitar a travessia, criamos um novo espaço de encontrar pistas para uma vida com menos medo e ansiedade.

Esta é o nosso convite para uma Vida Nova!
Bom Pessach, Boa Páscoa!


07/11/2014

Histórias Odisseyers: Eliane Mattos

Este mês, queremos homenagear a Odisseyer Eliane Mattos, uma querida amiga que nos deixou.



Recebê-la no Odisseia foi uma grande honra.
Afinal, há anos ela cuidava de nós, no seu sacro ofício de alinhar energia e corpo a serviço da sanidade somática, da saúde mais ampla.

Ela nos buscou por curiosidade, vontade de crescer e por ser uma grande incentivadora de nosso trabalho.
Saiu encantada e satisfeita, o que  para nós foi muito especial. Afinal, Eliane já havia feito várias formações e trabalhos de autoconhecimento com grandes especialistas do corpo e da alma.

Eliane soube ser herói da própria história de uma forma única.
Encontrou um trabalho difícil de descrever, pois o poder de sua prática não cabia em títulos curtos como "fisioterapeuta" ou"terapeuta corporal".
Tampouco seria cabível apenas ressaltar seus "poderes mágicos". Pois havia decerto algo inexplicável e de ordem superior na sua forma de cuidar; mas também havia muito estudo e ciência, além de uma dedicação ao contínuo autodesenvolvimento.

Eliane gostava muito das coisas belas, refletidas na sua paixão pelas artes plásticas e no seu bom gosto no vestir e decorar.

Mas sua grande paixão era a saúde de seus pacientes, saúde que protegia com suas mãos e também inestimáveis conselhos e alertas.

Representou bem nossa crença de que  uma mesma habilidade serve a muitos propósitos. Suas mãos serviam na cura, mas também para fazer lindos arranjos de flores.

Era curadora em muitos sentidos. Certamente o de restaurar o corpo de dores e cansaço, mas também em oferecer sugestões de onde deveríamos focar nosso desenvolvimento espiritual e profissional.

Todos os dias utilizamos algum aprendizado compartilhado por ela a partir de seu amplo repertório de técnicas e saberes.

Da Jornada Odisseia, levou muita inspiração. Uma delas, singela, foi a de enfrentar seu medo de tecnologia. Vinha tendo aulas com um professor para dominar os e-mails e mídias sociais.

Eliane partiu em dois de novembro, Dia dos Mortos.
Jamais a esqueceremos.
Seu legado está vivo no Odisseia, na sua sabedoria generosa, que compartilhamos com gratidão.


05/10/2014

A arte da empatia


“Vi um vulto ao longe, era um bicho.
Cheguei mais perto, era um homem.
Cheguei ainda mais perto.
Era meu irmão.” 
Ditado tibetano

O Odisseia trabalha ancorado nos pilares da Responsabilidade, Confiança e Gentileza.
Confiança tem três dimensões em nosso vocabulário: confidencialidade, otimismo e capacidade de entregar-se ao outro (bem como recebê-lo)
Este último, particularmente precioso na construção de relações verdadeiras e colaborativas. Relações onde se pratica andar de "mãos dadas".

Como cultivar relações ancoradas na confiança, no trabalho e na vida pessoal?
É difícil confiar se não temos um chão comum.
É difícil confiar se dentro de nós há preconceito, desconfiança ou falta de vínculo.

Portanto um bom caminho é a prática da empatia.
Empatia é uma forma poderosa de fortalecer relações e até mudar o mundo...
Como assim?

Primeiro é preciso entender o que é empatia.
Nas palavras de Roman Krznaric, escritor e um dos fundadores da The School of Life:

“A empatia é a arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva. Ela requer um salto de imaginação, de modo que sejamos capazes de olhar pelos olhos dos outros e compreender as crenças, experiências, esperanças e os medos que moldam suas visões de mundo.”

Em outras palavras, vestir o sapato do outro e compreender onde estão os calos que doem.

A empatia acende em nós a compaixão e nos ajuda a suspender o julgamento.
Ela nos permite "enxergar com os olhos do outro",  um olhar tantas vezes diferente do nosso, mas igualmente merecedor de atenção.

Empatia não é piedade. A prática da empatia requer um andar lado a lado, um diálogo baseado na equanimidade.

Fazer com o outro o que você gostaria que fizessem com você tampouco é empatia, como na história contada por Roman em seu livro "Sobre a Arte de Viver", onde descreve a evolução de seus dois filhos gêmeos:
No início sua filha tentava consolar seu irmão oferecendo o brinquedo favorito dela.  Em poucos anos, portanto, percebeu que era mais eficaz oferecer o brinquedo favorito DELE.

Ou, com disse George Bernard Shaw com muita graça:

“Não faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem – eles podem ter gostos diferentes dos nossos".

Hum. Se é preciso caminhar lado a lado e conhecer verdadeiramente o outro, não parece ser tão fácil...
Bom, ser feliz dá trabalho.

Mas queremos ajudar, com uma lista de cinco passos para construir mais empatia em suas relações: 

1# Ligue seu cérebro
Muitos pensam que seres humanos são, por natureza, egoístas. No entanto,  há muitas evidências científicas de que nós desenvolvemos nossa empatia ainda na primeira infância. A Neurociência demonstra que todos nós somos equipados neuralmente para a empatia. Portanto, com algumas raras exceções (como a sociopatia), todas as pessoas são capazes de praticá-la.
Por isso, comece acreditando que você sabe ser empático, sim. Está no seu DNA.

2# Dê um salto imaginativo
Em seu pensamento, ponha-se no lugar do outro. Como ele vive? Que desafios enfrenta? Que medos têm?  Qual é seu contexto familiar, de trabalho?
Estas perguntas e muitas outras podem te ajudar a transportar-se para a realidade do outro.
Desligue o botãozinho da crítica e "finja" ser alguém com quem está difícil conviver por alguns instantes.

3#  Viva um experimento 
O pensamento e a imaginação são um começo, mas "praticar" a vida do outro pode ser ainda mais poderoso.
São Francisco de Assis praticou a mendicância como forma de compreender verdadeiramente a pobreza.  Há pessoas que participam de iniciativas para dormir na rua para conhecer a realidade dos sem-teto.
Você não precisa ir tão longe, se não quiser.  Um primeiro passo é passar um dia no ambiente do outro.
Ir no seu ambiente de trabalho, sua casa.  Usar seus meios de transporte, comer sua comida.
Viver a realidade do outro na prática!

4# Pratique a arte da conversa
Ouvir genuinamente o outro, calando as vozes internas é um passo poderoso para a empatia.
Experimente não pensar na resposta ou ter ideias próprias enquanto o outro fala.
Escute com seu corpo inteiro. Incline-se para a frente, silencie sua mente, repita o que seu interlocutor acabou de falar para ver se entendeu.
Permita-se  ser ouvinte sem preocupar-se com réplica ou em superar o pensamento do outro.
E lembre-se: sentir-se escutado cria um importante vínculo com quem escuta, muito favorável quando for sua hora de falar.

Podemos aprender com  Rubem Alves, mestre na "arte da escutatória":
"De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo.” Eu acrescento: “Antes do Verbo, era o silêncio.” É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. “Para ouvir as vozes do silêncio”

#5)    Inspire uma revolução
Finalmente, um convite para a grande ousadia de expandir este movimento, criando uma "corrente do bem" a serviço de um mundo mais solidário, cooperativo e de relações verdadeiras.
Leve a empatia para seu contexto social.
Transforme suas negociações, ampliando a empatia. Influencie a escola dos seus filhos, seu condomínio, seu escritório.
Participe de atividades voluntárias no seu bairro ou em sua comunidade.
Inspire-se em líderes empáticos como Gandhi e Martin Luther King Jr.
Pratique a empatia para além destas portas e assim construiremos um mundo mais justo, mais alegre e mais compassivo.

É isso. Esperamos ter contribuído para um mundo mais cooperativo e empático, pois nisso acreditamos!

Se quiser saber mais sobre  Empatia, recomendamos:

Sobre a Arte de Viver, Roman Krznaric
A Arte da Escutatória, artigo de Rubem Alves
E não deixe de conhecer a Biblioteca da Empatia, a forma que Roman Krnzaric encontrou de estimular esta revolução!





26/08/2014

Para o sonho sair do papel

Às vezes, é uma vontade de fazer mudanças. Na vida pessoal, na carreira, nos dois.
Outras, de seguir um chamado de dentro. Tentar uma trilha paralela. Cultivar algo novo.
Em comum, o desejo de um diálogo entre “pessoa física” e “pessoa jurídica”: Um alinhamento maior entre vidas pessoal e profissional.



Não importa qual a motivação, o melhor caminho é primeiro para dentro, para então seguir em frente:

1) Quem sou eu?
Compreender nossa própria história é a chave para muitos caminhos.
Do que tenho orgulho?
Quais foram os momentos difíceis e como os atravessei?
Quem foi (é) importante na minha caminhada?
O que aprendi com erros e acertos?
O que se repete ao longo do tempo?

Um segredo é olhar para as respostas com um olhar apreciativo. Honrar o caminho percorrido. Valorizar os feitos e agradecer toda a ajuda recebida. Ser grato pelas pedras da estrada, nossas grandes mestras.

Conhecer-se é ampliar as próprias asas.

2) Quais minhas habilidades?

Nascemos com uns tantos dons e para chegar onde estamos, foi preciso desenvolver muitos outros recursos.
Mapear estas fortalezas é fundamental para avançar rumo ao sonho.
O que as pessoas mais me pedem para fazer? E o que me agradecem quando eu faço?
Não é suficiente saber o que fazemos bem. É igualmente importante vigiar os excessos e faltas.
Se tenho um talento e exagero, bem posso estar criando obstáculos: Ser generoso demais; ouvir demais; fazer demais.
Se não vivo uma habilidade em sua plenitude, também posso criar barreiras: falar de menos; dar limites de menos; pausar de menos.
Usar nossas ferramentas com equilíbrio é difícil, exercício de vida inteira. Mas com o tempo e a prática, navegaremos em águas mais favoráveis, impulsionados por nosso melhor.

3) Cultivar um sonho de bom tamanho
Não basta sonhar. É preciso sonhar de bom tamanho.
O que isto quer dizer?
Todos conhecem Ícaro, que ao escapar do labirinto do minotauro, seduziu-se pelo sol e subiu alto demais, destruindo suas asas e desabando no mar.
No entanto, poucos ouviram falar de Dédalo, seu pai. Ele que construiu as asas e avisou ao filho: “Não voe tão baixo que encharque as penas, nem tão alto que derreta a cera”.
Assim numa distância sábia entre o alto da fantasia e o baixo da mediocridade, Dédalo alcançou a outra margem e seguiu sonhando e realizando seus sonhos.
E este é o convite que fazemos sobre todos os sonhos:

- Este sonho é específico o suficiente?
- Como posso planejá-lo para que esteja ao meu alcance?
- De que recursos preciso para fazê-lo real?
- Quem pode ser parceiro nesta empreitada?

É possível tecer sonhos inspiradores e grandiosos, dentro de nossa possibilidade de realizá-los. Dar a volta ao mundo começa com uma viagem. A paz mundial começa com cada um vivendo a colaboração e harmonia dentro de sua comunidade e geografia.

4) Mão na massa
Quando nos apropriamos de nossa história, habilidades e sonhos é possível avançar.
Quais os primeiros passos simples que posso dar?
Quem pode me ajudar?
O que preciso aprender, praticar, testar?

Podemos nos perguntar, podemos perguntar aos outros. À medida que colocamos as respostas em prática, estamos vivendo nosso sonho, ganhamos asas.

Mas não voemos sozinhos. Sejamos um bando de pássaros, lado a lado. Para que a soma de nossos talentos seja posta a serviço, não somente nosso, mas de todo mundo.

Para que em nossas eventuais quedas, possamos contar com um braço amigo para nos levantar do chão.

Como diria Carlos Drummond de Andrade: “Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

Vamos?

18/04/2014

Trabalho para se orgulhar

Conversava com uma pessoa que admiro muito como mãe, profissional e esposa.
Ela me contava sobre a diferença entre vaidade e orgulho.
vaidade, me explicava, é algo que é alimentado do fora de nós. A opinião alheia, o aplauso, o tapinha nas costas, a avaliação de desempenho, a aceitação de nossa família, nossos colegas de trabalho. Segue o script, muitas vezes limitante, da régua das maiorias. Ancora-se, muitas vezes, na aparência, no preconceito, no medo de não pertencer.
orgulho, por outro lado, alimenta-se de algo nosso (e não estamos falando do orgulho de não saber pedir ajuda, o da soberba). Falamos do orgulho mais nobre, mais puro. Aquele enraizado em nossos valores, nosso propósito, o que faz sentido.
Se temos orgulho de nós mesmos, o outro não tem tanto peso. O orgulho ancora-se na nossa autoestima e no quão firme estamos apoiados em nossa bússola interna. Esta bússola, construída a partir do que aprendemos com nossos ancestrais, do que cultivamos na nossa espiritualidade. Do que acreditamos com toda a força de nosso coração.
Quem de fato sou eu? O que quero deixar para o mundo? 
Perguntas difíceis de responder, por isso olhamos tanto para fora.
Na busca deste gabarito, muitas vezes terminamos vazios, famintos.
Viver com sentido é a recompensa maior. Mas requer esforço.
Para atravessar medos. Para perdurar solidões.  Para dizer sim, este é o caminho, mesmo que inédito, mesmo que estranho.
Mesmo ao contrário do que todos me disseram ser o mais garantido.

A vaidade nos conecta com o outro. É um vício.  Se eu faço assim, interajo, obtenho resposta.  Infla-se meu peito, dá uma saciedade.
Só que é carboidrato, queima logo. Preciso de mais e mais, para me sustentar.
O orgulho é proteína.

O orgulho de bater no peito: "Eu fiz."
"Eu sobrevivi".
"Eu consegui".
"Eu sou quem eu quero ser".
Olhar para trás e ver um legado que valha a pena.
Olhar para frente e antever a possibilidade de melhorar o mundo.
Olhar para os erros e perceber que foram aprendizado.

A escolha é sua: como você vai nutrir o seu trabalho?
A partir da vaidade ou do orgulho?

O preço a qualquer preço

“Bom dia. Embarque ou conexão?”
Parecia uma pessoa do staff do aeroporto, mas não. Era um vendedor de uma editora, tentando me “fisgar”.
Sentei-me num lugar estratégico e fiquei acompanhando a operação.  Observando a franca irritação de alguns passantes, me pergunto. Por quê?
Por que alguém se submete a um subterfúgio destes para tentar capturar um novo consumidor?
Parece fácil condenar o vendedor e sua armadilha tosca.

Decido olhar mais fundo... Será que este vendedor gosta ou tem orgulho do que faz? Ou está pagando contas, buscando alguma estabilidade, atendendo a sonhos alheios do que é ser uma pessoa de sucesso?
A farsa da editora é  muito evidente. Não vi quase ninguém ir “só retirar o brinde” que levaria a um discurso de convencimento “compre uma assinatura”.
Na vida real, o dilema é mais sutil.  Será que estamos vendendo a nós mesmos e aos outros algo que não nos serve?
“Eu preciso deste trabalho porque preciso pagar contas”
“Eu não sei fazer outra coisa”
“Sou muito velho para começar de novo”
“Já investi muito neste caminho onde estou”
“Não tenho coragem”.
Todos os dias conheço pessoas buscando enfrentar estas questões. São perguntas difíceis, causadoras de grande sofrimento. Por que  tantos outros não conseguem encará-las?
Tudo é uma questão de preço. Muitas pessoas não percebem claramente o custo de um trabalho sem sentido, até a vida passar ou alguma crise acontecer.
Voltando para nosso exemplo. Um daqueles vendedores pode um dia se sentir maltratado. Outro pode achar que o dinheiro que ganha, não vale o esforço. Alguns, podem adoecer física ou emocionalmente, pelo desgaste de tanta rejeição.  Uns podem ter sonhos pulsando cada vez mais alto, até não sobrar energia para abordar clientes a caminho de seu voo.
E para alguns, somente alguns, chegará o dia em que dirão “chega, vou buscar outro trabalho ou vou ao menos tentar vender minha assinatura de uma forma diferente!”.
Para todos nós, o  preço pode ser a saúde física, o equilíbrio emocional, a falta de sentido. O preço  pode ser desperdiçar talentos, ignorar sonhos, engolir sapos além da conta.
Sim, é preciso pagar as contas. Mas a que preço?
O singelo exemplo do aeroporto evoca questões éticas, mas também não vi um ambiente estimulante no quiosque onde os vendedores se aglomeravam. Fiquei curiosa até quando vão tentar esta nova tática.
Também fico curiosa por entender o limite das pessoas, cada um tem o seu.
Quanto tempo é preciso para se repensar que tipo de trabalho queremos fazer? Quanta dor e incômodo estamos dispostos a vivenciar?
O Odisseia foi criado para estimular relações mais felizes com o trabalho. A reflexão é o primeiro passo neste sentido e esta é a intenção deste texto.
Qual o preço da minha escolha profissional hoje? 
Como eu posso interferir para que o que faço para pagar as contas também sirva para minha realização pessoal? 
O que está ao meu alcance para ter um trabalho que faça sentido?
Minha hipótese é que a resposta não está num script automático que vendemos para nós, justificando a situação atual... Descobrir suas respostas pode ser o primeiro passo para uma grande transformação.


11/03/2014

O que é ser herói da própria jornada?

Nascemos inocentes e dependentes.
Crescemos em constante interação e interdependência.
Como adultos idealmente nos tornamos autônomos. A responsabilidade de um adulto implica em saber que cada escolha tem um preço.
A questão é saber que preços estamos dispostos a pagar.
René Quillivic-Le voilier

No processo de crescer, muitas vezes encolhemos nossa coragem de tentar o que parece impossível, de trilhar o caminho menos conhecido. De arriscar-se. De mostrar-se por inteiro, vulnerável, sensível.

Nem sempre escolhemos o que fazer como trabalho de forma consciente. É comum abraçarmos uma carreira ainda imaturos e depois nos acostumarmos a ela. Ou jamais nos acostumarmos, mas temermos o preço da mudança.

Ser herói da própria jornada é retomar o leme do nosso barco.  Honrar este caminho sem sempre fácil de experimentar profissões, de ser responsável por seu sustento. E fazer tudo isso sem perder a coerência com nossas paixões, nossas necessidades e desejos.

Ser herói da própria jornada é fazer escolhas. Não delegar o sucesso ou fracasso a ninguém, buscar seu percentual de contribuição em toda a situação adversa.

Ser herói da própria jornada é sentir medo e atravessar o oceano da vida, cheio de perigos, com medo e tudo.

Um herói é um indivíduo disposto a grandes sacrifícios por uma causa maior.  E viver sua própria jornada é a causa maior de todas. Não importa se gari ou empreendedor; militar ou padre. Todo trabalho tem valor quando está alinhado com o que amamos e sabemos fazer.

O prêmio é imperdível: ao final da jornada, teremos construído um legado.
Uma vida bem vivida, com pouco arrependimento.
Alegria. Satisfação. Realização. Significado.

Por isso trabalhamos todos os dias no Odisseia. Na esperança incansável de um mundo onde todos possam ser heróis de sua própria jornada.



28/02/2014

Histórias Odisseyers: Marcella Linhares



Marcella encontrou-se com o Odisseia num já distante março de 2013. Pulsava em sua suavidade, ansiando por libertar as tantas palavras que moram em seu dentro.
Trazia questões de trabalho e de vida pessoal.
Juntas, fomos costurando caminhos e abrindo este baú de tesouros.
Hoje Marcella nos conta o que aconteceu de lá para cá. E foi muito.
Com muita gratidão, compartilhamos seu testemunho de como é possível avançar rumo a Ítaca, com medo e tudo.
Com vocês, Marcella Linhares!




"Doismil&treze
Tenho uma superstição boba de não gostar de anos ímpares, mas doismil&treze me pegou de surpresa e me fez gostar muito dele. Lá no comecinho fiz o workshop Odisseia assim como não quer nada... E em um único dia aprendi muito sobre mim mesma. O curso me proporcionou um mergulho profundo em mim mesma. Fez com que eu entendesse um pouco quem eu sou e do que gosto. Às vezes, a gente simplesmente tem medo de descobrir quem é e do que gosta... Parece que o medo de que as coisas dêem certo é tão ou mais assustador do que o medo do fracasso. Vá entender... Eu tenho um medo bem grande dos meus sonhos. Tenho medo que eles nunca se realizem e um medo maior ainda que cada um deles se realize porque ser feliz é muito assustador. Dá um tremendo frio na barriga. Esse doismil&treze fez com que eu aprendesse a lidar com esse medo, que algumas vezes fica tão grande que eu viro uma formiguinha perto dele. Então nesse ano eu fiz as pazes com todos os meus fantasmas. Aprendi a ficar amiga deles. Eles viraram fantasminhas camaradas. De vez em quando a gente até anda de mãos dadas, quando não tem ninguém reparando...
Em doismil&treze além de me reconciliar com os meus fantasmas, também fiz algumas outras coisinhas – como por exemplo me casar. Em doismil&treze ganhei um nome novo e escrevi pela primeira vez casada na ficha de hotel. Também mudei radicalmente de trabalho: deixei de ser uma produtora freelancer que trabalhava em casa e passei a ser uma assessora de imprensa com crachá e tudo – só que o crachá não ficou pronto ainda ou ficou e eu não fui buscar porque eu não tenho cara de funcionária com crachá. Também mandei fazer óculos novos esse ano – o que me deu ainda mais cara de “funcionária”, mas crachá não. Crachá já é demais. Fiz aniversário no meu primeiro dia de trabalho e recebi restituição de imposto de renda pela primeira vez. Também troquei e-mails com o meu avô e reativei o blog onde coloco alguns escritos meus. Acho que fiquei um pouco mais adulta esse ano e mudei de ideia: passei a gostar de anos ímpares!

Quem quiser aparecer para uma visita no meu blog ou na minha página no facebook aí vão os endereços. Sejam bem-vindos! Só tenho uma recomendação: entrem com os pés descalços!

http://avidaebelaafloreamarela.blogspot.com.br

https://www.facebook.com/pages/A-vida-%C3%A9-Bela-a-Flor-%C3%A9-Amarela/427741517348644"



18/12/2013

Histórias Odisseyers: Aisha Jacob

Aisha iluminou a Jornada Odisseia de março de 2013. Seu frescor e entusiasmo misturam-se com a sabedoria incomum para alguém tão jovem. Neste espírito, nos presenteou com o conceito de fazer uma gratidão.
Desde então, ela já abriu muitos novos caminhos, nos encantando com seu Tutu Voador e a Naai... Nós, emocionadas, ficamos na torcida por muitas asas para este sonho de bom tamanho que se realiza.
Com vocês, nossa talentosa Odisseyer, Aisha Jacob!


"Chego no fim desse ano com momentos de muito prazer no meu trabalho e vida. Nesse cheiro de fim de ano, pude parar e analisar o quanto meu ano foi intenso e especial.
Um dos melhores da minha vida, eu ousaria dizer.
Paro dentro de mim e penso o quanto eu precisava agradecer a duas mulheres incríveis que se fizeram presentes no meu ano inteiro sem nem saber.
Foi mais ou menos assim: no início do ano fiz um workshop chamado Odisseia. Conheci pessoas incríveis e de realidades completamente diferentes da minha, até porque eu era a mais nova de todas ali, 23 anos.
Fizemos muitos planos e viramos cúmplices. Sigo levando comigo e redescobrindo a todo tempo tudo que vi por lá.
Ando com uma sensação constante de preenchimento completo no coração, mesmo no meio de turbilhões de trabalhos e do fim do ano.
O mais difícil era me enxergar como uma profissional da minha área. Formada em Design de Moda tinha muitos anseios e vontade e pouca crença de ser capaz.
Poder ter traçado objetivos e ao longo do ano iniciar o que cabia dentro de mim e de meus passos foi o melhor dos presentes.
Comecei finalmente a dar asas voadoras, quase que literalmente, a muito dos projetos. Como indicava ali no mapa-caderno que fiz no workshop a coleção/marca de fantasias infantis saiu, e não podia sair com mais afeto e carinho, o tutu voador tá criando asas.
Voltei aos meus projetos pessoais com tecidos de uma viagem a Asia.
E o mais ousado projeto, a NAAI, uma marca de roupas femininas com duas amigas.
Me sinto como uma passarinha, aprendendo a voar. Uma ou outra queda, dias mais difíceis mas com uma intenção certa:
Meu destino é voar! "

11/10/2013

Histórias Odisseyers: Vívian Curvello

Em um dos primeiros workshops Odisseia, Vívian nos encantou com seus sonhos e sua maturidade.  
Depois, com muita gratidão acompanhamos sua jornada de mudanças ao acreditar no seu querer, mesmo sendo um caminho menos trilhado (afinal ser feliz dá trabalho!).
Apostou no seu destino e hoje atua como educadora em literatura, com sua metodologia própria.
Um convite a todos os leitoresa amigos de Vívian:  ajudarem-na com a última carta do seu mapa ao compartilhar, como nós do Odisseia compartilhamos, sua coragem, determinação e talento.
Com vocês, Vívian Curvello!

“Eu posso querer o que eu quero”- essa frase estava em um pequeno envelope azul que Érica e Letícia me entregaram no final da minha jornada.

Em meados de 2011, passei um domingo de sol com a Letícia e mais três mulheres incríveis, todas me ensinaram muito. Eu tinha 27 anos e era a mais nova, mas elas me disseram que eu era a participante mais decidida, a que mais sabia o que queria. Sim, acho que sempre soube, só não sabia como chegar lá. E foi aí que Érica e Letícia mais me ajudaram, me transmitiram confiança, me sacudiram para que eu colocasse meus desejos em prática e me mostraram caminhos certos para isso.

Sou professora, formada em História, mas ainda durante a faculdade sabia que aquela não era minha paixão. A minha paixão, na verdade, eu havia descoberto aos seis anos de idade, quando aprendi a ler, eu passei a amar a literatura.

Durante o ano de 2011, quando participei do Odisseia, eu estava dividida entre a minha formação, dava aulas de história em Macaé, e a minha paixão, dava aulas de incentivo à leitura para crianças no Rio de Janeiro. Havia feito pós-graduação em literatura infanto-juvenil no ano anterior e estava com a monografia pendente.

Eu desejava trilhar apenas o caminho literatura-arte-ensinar, porque além de ser muito feliz ao trabalhar com isso, me desagradava o fato de precisar dar provas, notas formais, seguir um conteúdo já fechado, programado. Eu queria ter mais liberdade para criar aulas instigantes, interessantes, divertidas, criativas, em que o aluno encontrasse prazer na leitura e na escrita, como eu procurava fazer nas aulas que dava no Rio. Mas era apenas uma vez por semana, era pouco, eu queria mais! Além disso, eu desejava me fixar de vez no Rio-Niterói e não precisar mais viajar toda semana de Macaé para o Rio. Eu tinha medo de me render e acabar ir morando de vez em Macaé fazendo uma coisa que até gostava, mas não o que eu queria para sempre, não era o que eu amava. E parecia não ser muito fácil, não é um trabalho tradicional, não encontraria oportunidades em qualquer esquina.

Mas eu precisava honrar o meu querer, como bem disseram Érica e Letícia.

Elas me fizeram entender tanta coisa que eu não enxergava, aprendi muito e me senti capaz. Lembro que saí de lá confiante, o Odisseia foi fundamental para que o meu sonho se tornasse destino. Em alguns meses eu me demiti do emprego de professora de história em Macaé, comecei a trabalhar como professora em um curso de incentivo à leitura e à escrita em Niterói e hoje também dou aulas como essas em duas salas no Rio. De todos os cartões que recebi no final do meu caderno, só não cumpri um, o de pedir aos meus amigos que façam cartas falando coisas boas de mim para exercitar a minha confiança, quem sabe um dia?
Meus planos? Estar rodeada de livros e alunos por muito tempo!"

23/06/2013

Histórias Odisseyers: Guilherme Velho

Guilherme é um dos mais leais fãs do projeto Odisseia.
Seja como participante, mecenas, incentivador.  Com ele inventamos uma nova versão para empreendedores e sócios.
Deu várias sugestões para melhorarmos nosso trabalho, inclusive contarmos a origem do nome Odisseia...
Guilherme é um guerreiro da estratégia. Empunhando sua espada afiada de palavras e pensamentos brilhantes.
Um verdadeiro Ulisses empreendendo a difícil e valiosa volta para Ítaca...
Com vocês, Guilherme!



Quando comecei essa jornada com Érica e Leticia, há uns dois anos, entrei no barco cheio de dúvidas e medos. Na ocasião trabalhava como professor e consultor freelancer, preparando e ministrando treinamentos sobre gestão empresarial para executivos e universitários.

Mas resolvi questionar até onde poderia ir. Arte, criatividade, cultura... Tudo isso pulsava muito forte em mim. E como conciliar esses interesses com o trabalho? Como abraçar profissionalmente um amor, conjugando pessoa física e pessoa jurídica?

Em muitas longas noites e dias de viagem, fui descobrindo como. Hoje gerencio o Rio Criativo, uma incubadora de empreendimentos da Economia Criativa, onde tenho outros 13 heróis em minha equipe, ajudando a administrar 17 novas empresas e a capacitar mais de 3.000 empreendedores por ano.

Ainda dou treinamentos para grandes empresas e universidades. E novas ideias e possibilidades não param de surgir. Só que o mais importante não foi o alinhamento de carreira ou rota. O mais importante mesmo foi descobrir o prazer de viajar. No meu barco tremulam várias bandeiras, mas há um espaço especial para a bandeira do Odisseia. Rumo à Itaca, sempre e sem medo.

Histórias Odisseyers: Clarissa Peixoto

Clarissa conheceu a gênese do Odisseia.
Com seu olhar atento e mãos hábeis, compartilhou ideias e foi artesã da primeira versão do caderno Odisseia, hoje um grande sucesso do projeto!
O tempo passou e ela resolveu conhecer como era por dentro.  Numa época bem especial de sua vida, a gestação de sua Penélope...
Recebemos Clarissa com gratidão.  E hoje nos ela conta como foi tecer este bordado conosco...

Acompanhei o Odisseia desde a sua gestação. Olhava para ele e pensava: um dia estarei ali.
Dúvidas sobre carreira, qual o sonho a abraçar no trabalho. Isso tinha tudo a ver comigo. Iniciei quatro cursos universitários diferentes, abandonei dois. Trabalhei por quatro anos em empresas, em geral gostando e aprendendo muito, mas sabendo, sentindo, que não seria aquele o caminho que eu queria seguir. Por outro lado, eu não via com clareza outros caminhos, e resistia. No início de 2010, pedi demissão e fui trabalhar como autônoma. No princípio, fiquei preocupadíssima se aquilo ia funcionar. Depois fui relaxando um pouco – não muito, ainda –, sentindo a satisfação de poder lidar com o tempo e as diversas atividades ao longo do dia e da semana, mas sempre tensa com prazos e o fechamento do mês, normal. Me dei ao luxo de fazer um lindo curso de encadernação no meio da tarde. Trabalhei um pouco com isso, ganhei algum dinheiro. Fiz os primeiros livrinhos do Odisseia. Já estava fazendo um curso de formação em terapia reichiana; podia participar dos grupos de estudos e me dedicar a encontros e seminários que seriam impossíveis de assistir com uma jornada de, no mínimo, 44 horas semanais (mais o trânsito...).
Os planos para 2012 prometiam trazer um ano diferente: mais estudos e uma grande mudança: eu ia me casar.
O Odisseia, em fevereiro, me pegou nesse momento de expectativa. As linhas estavam traçadas, era preciso executá-las. No workshop percebi que, na verdade, também precisava diminuir a quantidade de frentes. Dar um melhor tamanho ao sonho (o meu apareceu tão grande e colorido, de quem quer abraçar o mundo, mas o problema sempre foi este: só tenho dois braços e duas pernas!)... Diminuir. Focar. Dar muita energia a um projeto ao qual eu queria me dedicar: a festa, a casa, e claro: o futuro marido. Não esquecer de outro projeto que eu queria tocar: a minha clínica como terapeuta. Dar conta do que me sustenta: meu trabalho como freelancer para empresas de comunicação. 
Nos últimos dias do workshop foi que eu realmente me toquei: eu já sabia por qual daqueles caminhos eu queria ir. Já tinha um destino, precisava cortar uns desvios, parar de pensar como um funcionário de empresa, acreditar e ir em frente, com determinação (a “idade do guerreiro”). Depois de 10 anos, finalmente fui descobrir que eu sabia o que queria fazer. Agora era fazer.
E, no entanto, os momentos mais bonitos da minha Odisseia disseram respeito à vida a dois que eu queria construir. Alinhar pessoa física e pessoa jurídica do qual Leticia e Érica sempre nos lembram; fui buscar sobre o trabalho, encontrei muito sobre o amor. Que benze, que nutre, foram palavras que apareceram na minha colagem. Pedir a bêncão do pai terreno e acreditar no pai maior, na vida.
Não há dúvida que o rumo escolhido, como terapeuta, está totalmente vinculado também ao amor. É meu maior investimento hoje, e tem dado retorno. Poder cuidar. Poder ter um olhar diferente para as situações, as pessoas, ajudá-las a mudar. Organizar o tempo de uma maneira mais orgânica, mais saudável.
O nosso grupo tinha mais quatro pessoas e gostei muito de estar com eles. Todos completamente diferentes, em momentos distintos, e descobrindo muito de si. E lançando um novo olhar sobre as possibilidades.
Érica e Leticia, obrigada! Foi lindo participar do projeto! 


15/04/2013

Histórias Odisseyers: Cris Ribeiro e Tati Franco


Acreditamos na força do grupo, por isso criamos o Odisseia como um espaço de colaboração.
Mesmo assim, não podíamos imaginar que estaríamos incentivando uma parceria promissora, quando fizemos um encontro para sete mulheres em Uberaba...

Cris e Tatiana moravam na mesma cidade e tinham amigas em comum. Mas não haviam se conhecido.
Quem vê pela foto abaixo, não acredita. Parecem inclusive irmãs.
Mas até o Odisseia, o destino destas duas heroínas-guerreiras não havia se cruzado...
Cris Ribeiro e Tati Franco
Durante duas sessões de trabalho intensas, ficou claro que Tati e Cris tinham muito em comum. Um olhar empreendedor, uma vontade de reinventar a relação com o trabalho, sem perder o convívio familiar e a harmonia no casamento.
Desafios de todos nós que valorizamos o vínculo, mas queremos realizar nossos sonhos.
Sonhos de bom tamanho...
Durante a etapa final, quando desenhamos os mapas individuais, surgiu a primeira semente de uma parceria que promete... A veia comerciante de ambas rendeu uma histórica viagem a Miami, de onde trouxeram preciosidades que rapidamente venderam para um público encantando com os talentos de ambas.
Nas palavras de Tatiana e Cris:

"Tudo começou com um cartão do mapa-caderno que nos sugeria tomarmos um café juntas.
Podemos dizer que o café rendeu boas risadas e muita afinidade.  E foi ali que colocamos em prática outra sugestão: um trabalho que coubesse na mala (no nosso caso, em algumas malas...).
Nossa primeira viagem ficou dentro de nosso" sonho possível", e estamos a caminho da segunda .
Um beijo grande e a foto segue depois , quando as duas " sacoleiras " estejam com aparência de executivas de comercio exterior. Kkkkkk"

Parabéns, Cris e Tati: muito sucesso neste trabalho  "que cabe na mala"... E bons ventos na viagem!

20/01/2013

Histórias Odisseyers: Tatiana Lemos

Para quem já está em processo de mudança, o Odisseia pode ser uma forma de consolidar os aprendizados da estrada e ir com mais propósito rumo ao sonho de bom tamanho.

Foi assim com nossa querida Tatiana Lemos. Mulher em transformação desde meados de 2011 e que nos encontrou durante sua navegação rumo a Ítaca.

Sua história é um testemunho de que é possível reinventar a caminhada e ser feliz ao mesmo tempo.

Com vocês, Tati Lemos, da primeira turma Odisseia em São Paulo, em agosto de 2011:

"Meu nome é Tatiana e eu tinha 37 anos quando passei pela "noite escura da minha alma"; quando me vi congelada, desmotivada, frustrada e sem nenhum desejo de continuar no mesmo caminho profissional que havia trilhado por 14 anos como executiva de multinacional. Era 2010.

Eu estava então letárgica, meio apática (lembro de noite após noite diante da TV) e sempre irritada e irascível. O corpo, sempre adoecendo. Em outubro, uma hemorragia de ovário bem no momento em que discutia, com meu empregador, possibilidades pra minha próxima movimentação: o corpo gritava e nenhuma vaga fazia o olho brilhar... Era isso, tinha que romper com aquilo, apesar da angústia de não saber, ainda, o que ou a que queria me dedicar. Com o apoio de uma terapeuta energética incrível (Lilian Gouveia, que eu estava vendo há uns dois meses) dei o salto e negociei meu pacote de desligamento. O dinheiro me deixaria pensar tranquila durante pelo menos um ano todo: um sabático!!

Aí, ao abrir espaço na minha vida pra pensar, respirar, dormir bem e o suficiente, me exercitar, passar tempo com meu filho e minha mãe e tomar muitos cafés vagabundos com amigos queridos, fui entendendo os valores que, gradualmente, atrairiam pra minha vida o tipo de experiência profissional que eu buscava ter.

Saí da empresa em janeiro e fiquei perfeitamente à toa por um mês. Em fevereiro, comecei a dedicar cinco dias do meu mês a uma consultoria francesa de marcas globais, a BTT, de um marqueteiro admirável e amigo desde 2004, Pierre Maire. Em Junho, um outro grande amigo da escola me reencontrou e propôs um projeto pra turbinar a relevância de uma associação suíça que provê cirurgiões de coluna com educação continuada / atualização. Lá se foi mais uma das minhas quatro semanas. Finalmente, em agosto, minhas ultimas duas semanas livres foram ocupadas por um projeto proposto por outro amigo de longa data, com quem não trabalhava há 16 anos! Encabeçar o marketing numa startup de cosméticos brasileira.

Foi bem quando rolou o Odisseia em São Paulo / primeira turma! E foi especial estar com Leticia e Érica, duas parteiras de almas, nesse ponto da jornada e com colegas em diferentes estágios do repensar suas carreiras. Eu estava testando minhas novas possibilidades, mas ainda um pouco amedrontada e não acreditando que uma diversidade de projetos pudesse funcionar continuamente; ainda me perguntando onde gostaria de amarrar minha mula de novo, depois de todas as novas experiências. Vamos colocar assim: curtindo o refresco, mas, ainda no paradigma de ter achar um novo lugar pra amarrar minha mula...

O Odisseia trouxe a percepção do meu corpo através da leitura formativa da Érica (meu pescoço que eu não queria que endurecesse) e um convite a aventura e a coragem através do "e por que não?" da Leticia. Quanta riqueza e quantos contatos novos! E que divertido!

No fim do ano, tinha entendido que meus valores sabáticos eram: 1) ser dona da minha agenda, 2) trabalhar com amigos, 3) fazer coisas diferentes do que tinha feito até então. Esse entendimento foi construído através da experiência que ia "aparecendo" na minha vida e dos trabalhos de autoconhecimento que abracei, como o Odisseia e os sonhos. Intuitivamente: "caminhante não há caminho; o caminho se faz ao caminhar".

2012 seguiu com novas oportunidades que se mostraram pra mim, à medida que eu continuava aberta e confiando. E sabe-se lá o que 2013 trará... mais novidade? Um projeto grande pra uma só empresa (será que eu estou pronta pra um piloto desses, sem voltar as velhas formas?? Eu sinto que sim... que "uma mente expandida por uma grande ideia nunca volta ao tamanho original"...). Tantas opções...

E não é justamente esse frio na barriga que nos mantém motivados e jovens? Que venha 2013!"

Vamos juntas, em frente e com tudo, Tati!
E para vocês, como será 2013?


14/12/2012

Histórias Odisseyers: Renata Bonora


Muitos Odisseyers chegam a nós com inquietudes que parecem vir apenas do trabalho... Para descobrir que é o sistema completo que precisa se requilibrar: a famosa integração pessoa física com pessoa jurídica.
Alinhar vida pessoal com vida profissional.
Renata é um belo exemplo disso... Chegou com perguntas sobre seu posicionamento profissional e saiu  com a vontade renovada de ter seu filho...
E teve. O Gabriel chegou este ano, um pouco mais de 9 meses desde o workshop onde Renata fez sua descoberta!
Ela mesmo conta a experiência de realizar um sonho de bom tamanho:

"Em 2011 tive a oportunidade de participar de um Odisseia muito especial, onde conheci três mulheres incríveis. Sem contar as orientadoras, Letícia e Érica, pessoas fáceis de nos apaixonarmos no primeiro instante de tão generosas que são. Afinal, era um domingo de sol e elas lá...firmes e fortes para nos ajudar.

Minha missão ao terminar o Odisseia foi me cuidar para poder ter a tranquilidade e a saúde para engravidar. Pois bem, em outubro do mesmo ano, apenas 2 meses após estar tentando, engravidei do Gabriel. Para quem já é mãe sabe como é difícil descrever o que estou sentindo...é tanto amor, tanto medo, tanta euforia, tanto futuro....que nem sei! 

Quando olho para este pequeno ser, tão indefeso, mas tão amado, fico pensando que quero ser pelo menos metade da mãe que minha mãe foi para mim. Quero dar a ele todo amor e segurança de um lar harmonioso, que meu marido e eu estamos construindo há 5 anos. E gostaria muito, que ele crescesse um homem justo, equilibrado, generoso e altruísta. Mas isso, só o tempo dirá e, se eu fizer meu papel direitinho, aprendendo com ele sempre, tenho certeza que ele se tornará este ser maravilhoso que sei que ele já é.

Quanto aos meus cartões (*), acho que o da alimentação segui direitinho, pois tirei nota 10 do meu obstetra por ter engordado o suficiente e ter me alimentado bem para que o Gabriel nascesse forte e saudável.

Amigas, obrigada por tudo e sucesso em novas Odisseéias por aí.

Beijos,
Renata S Bonora"

* Renata está falando das ïlhas" Odisseia: pequenas tarefas que o grupo formula conosco para atravessar o mar revolto em busca de seu sonho de bom tamanho!

09/11/2012

Histórias Odisseyers: Monique Azevedo e Vítor Pellegrino


Já havíamos falado um pouquinho do Vítor e da Monique ao contar a história do Fred...

É que eles também estão numa jornada em Berlim, reinventando a trajetória pessoal+profissional!

Este casal heróico participou do Workshop "Repensando a Carreira" de estreia, em maio de 2011.

No meio do processo, Vítor se desligou da Petrobrás, uma decisão que já estava ponderando antes do workshop.  Alguns meses mais tarde, Monique pediu exoneração de uma emprego público que lhe trazia muito sofrimento.  E nos avisou, numa emocionante mensagem.

Muita coisa mudou desde então, como eles mesmos contam para nós:

Primeiro, o Vítor:

"Sobre o último ano, você não faz ideia de como as coisas mudaram! Depois que deixei a Petrobrás, trabalhei naquela empresa de NY até o final do ano, (...) daí resolvi sair da empresa e buscar outras coisas. Long story short, tive uma experiência fantástica em São Paulo e estamos eu e Monique de mudança. Só que para um pouco mais longe, vamos para Berlin! :)

Fiz algumas entrevistas bem legais e acabei sendo contratado pela SoundCloud. Como já tinhamos essa viagem agendada a um tempão pra Buenos Aires, acabou sendo uma oportunidade para curtir a família toda antes da mudança. Quarta-feira dia 1 de agosto estamos embarcando rumo a Berlin para mais uma parte da nossa Odisséia. :)"

Depois, Monique:
"Neste momento de misto de tristeza por deixar a família e os amigos e a expectativa com a vida nova, lembrei exatamente da Letícia dizendo que seguir a carreira dos sonhos dá trabalho...
Não dei um adeus, mas um "até logo" para tudo e todos que conheço.
Quando perguntam ao Vitor "O que é que vc vai fazer lá?", a sua primeira resposta é "trabalhar".
A minha é "vou descobrir um mundo novo".
Beijos a vcs, Odisseiers, que nos mostraram que a cada fitinha se construía uma rabiola."

Temos acompanhados as aventuras de Vítor e Monique, tudo indica que a experiência está sendo desfrutada com vontade!

É uma honra testemunhar a caminhada de Monique, Vítor e todos vocês.  Continuamos aqui, torcendo por boas aventuras e portos tranquilos.

27/09/2012

Histórias Odisseyers: Frederico Groth


Fred é da última turma do Odisseia, em 19/6  deste ano. Uma das "ilhas" do seu mapa era investigar um emprego na Alemanha. Um dos mais difíceis! Só que ele levou tão a sério o seu mapa que zarpou para a Alemanha em 2/8!  O mais curioso? Um dia antes, Vítor e Monique, da primeira turma Odisseia, foram de mala e cuia buscar sua Ítaca em Berlim! Será que rola um encontro de heróis?

Enquanto isso, vamos ouvir um pouco do Frederico:

Como você está se sentindo?

Muito bem, entusiasmado, confiante, e certo do caminho que estou traçando.


Quais são seus planos e expectativas?

Meu plano é basicamente me mandar para Alemanha em busca de uma experiência profissional, além de todos os outros ganhos que essa grande mudança pode me trazer.  Minha maior expectativa é não criar expectativas. Apenas espero manter o meu foco e estar em movimento, de olho nas múltiplas oportunidades que possam vir a sugir.  As coisas irão aparecer no momento certo. Será um grande aprendizado!


Você cumpriu algum cartão do seu mapa-caderno??  

Sim! Na verdade, cumpri apenas um cartão, porém, o suficiente: "Prospectar emprego na Alemanha"  E lá vamos nós...


Um parágrafo curtinho e uma foto, para animar os outros!!

Odisseia acelerou o meu processo, e me fez enxergar com mais nitidez o caminho a ser traçado. Botei o primeiro pé na água, e agora vou atrás do meu barco! Recomendo o mesmo para todos, e vamos em frente que navegar é preciso!


Desejamos bons ventos nesta jornada! E vocês, como estão os sonhos de bom tamanho?

30/07/2012

Histórias Odisseyers: Helena Palla

Chamamos aqueles que passaram pelo Workshop "Repensando a Carreira" de Odisseyers. São pessoas em busca de rever seus caminhos e encontrar mais realização na jornada.
Para honrar sua coragem e resiliência, publicaremos periodicamente suas histórias neste espaço.

Para inaugurar esta série, Helena Palla.  Helena fez a Jornada "Repensando a Carreira" em  agosto de 2011, em São Paulo, junto com três outros heróis.
De lá para cá, abriu uma nova empresa, a Indigo, onde reafirmou seu amor por Pesquisa de Mercado.
Helena conta para nós como foi:
Helena na Jornada Odisseia

"Já fazia um tempo que eu andava insatisfeita com a vida corporativa... até chegar ao ponto que achei que teria de mudar de área, pois o que eu fazia já não me motivava mais. Foram muitos momentos de angústia, com a dúvida crucial pairando: “o que eu vou fazer agora?”.
 Daí, por movimentos da vida que só os seres superiores explicam, acabei virando freelancer e não demorou para eu descobrir que eu ainda amava (e muito) pesquisa de mercado! Eu apenas tinha me afastado tanto dela, executando atividades burocráticas da vida corporativa, que havia me esquecido do que eu realmente gostava de fazer: me envolver com os “problemas” dos outros, ouvir  e conversar com pessoas e pensar, oferecer soluções a estes “problemas”... e assim, segui mais tranquila por quase dois anos. 
Até que o bichinho do “quero mais” me picou novamente e o próximo passo envolveria ter minha própria empresa de pesquisa. Após algumas conversas com amigos e reflexões pessoais, tudo ficou mais claro e começou a tomar forma quando participei de uma Odisseia em agosto de 2011. Em setembro retomei alguns contatos com possíveis parceiros, fui atrás de pessoas que gostaria de ter por perto nesta jornada e em outubro, eu e meus 3 sócios começamos o planejamento do modelo de negócio e da empresa que queríamos construir. Em novembro ela ganhou um nome e em dezembro parimos a INDIGO Inteligência de Mercado, um bebê que é a nossa cara! Hoje ela começa a engatinhar mas desde o princípio tem me deixado muito feliz.
Escolhi duas fotos que tirei numa viagem fiz por Amsterdam e Paris em setembro de 2011 para representar essa história. A primeira representa como me sentia na vida corporativa.
Imagem: Helena Palla
 A segunda  me lembra uma imagem que usei numa colagem que fiz na Odisseia – a imagem era de uma pessoa nadando livremente entre peixes no fundo do mar e por sugestão das facilitadoras e heroínas Leticia e Erica desenhei um “aquário” em volta, para dar um pouco de forma a esta liberdade toda."
Imagem: Helena Palla
Obrigada, Helena! Torcemos para a Indigo desbravar muitos mares e para você fazer muitas fotos da jornada!

12/10/2011

Odisseias cariocas

A primavera chegando e o Odisseia renovou seu espírito em eventos no Rio de Janeiro...
Primeiro, a palestra no Baukurs Cultural, no dia 31 de agosto...
Fotos: Simxer Fernandes
Uma oportunidade de refinar o conceito original trabalhado em maio deste ano, uma chance de conhecer novos herois... Um novo espaço acolhedor, novas experiências.
Fotos: Simxer Fernandes

Expandindo possibilidades para nós e para os outros, o grande objetivo deste projeto.
Fotos: Simxer Fernandes
Saímos satisfeitas!
Fotos: Simxer Fernandes


Nem a chuva forte desmanchou a mágica de estar entre herois num espaço tão especial do Rio.
A palestra, evoluiu.  E nossa certeza de que é possível ajudar na busca pelo caminho própria, também.
E agora, no começo de outubro, trazemos o conceito de jornada para o Rio de Janeiro.
Percebemos que o modelo de workshop de 4 encontros não era suficientemente concentrado para algumas pessoas de nossa audiência.
Experimentamos então o novo modelo testado em São Paulo, um mergulho intenso de um dia. De 10h às 18h de um domingo glorioso, trilhamos um belo caminho com quatro heroínas... Foi intenso, proveitoso e passou em um segundo... Já estamos com vontade de mais, aguardando a próxima jornada em 26 de novembro...
O aprendizado: quanto mais nos (re)conhecemos, Érica e eu, mais afinada é nossa parceria, mais fluida a nossa troca.  Parece novamente uma brincadeira de infância, com as camadas de experiência e gratidão que os anos vividos nos deram.
Agradeço profundamente e de coração a oportunidade de realizar este trabalho.